quinta-feira, setembro 28, 2006

Homenageada - Oceana Zarco

Oceana Zarco

Oceana Rosa Zarco nasceu na freguesia de Santa Maria da Graça, na cidade e concelho de Setúbal, em 12/04/1911.
Iniciou a sua carreira em 1925, com a licença nº 227, tendo sido a 1ª ciclista federada em Portugal. Correu até 1929, tendo sempre representado o Vitória Futebol Clube de Setúbal.
Durante a sua carreira, treinou com os homens, ouviu muitos “piropos” e ganhou quase todas as provas em que participou: entre outras, a Volta a Lisboa em 1925 e 1926, Volta ao Porto em 1926 e 1927 e Volta a Setúbal em 1925, 1926 e 1927.
Faz parte do grupo de homenageados no Mosteiro de Alcobaça, a 4 de Novembro.

Lembram-se dele? - Joaquim Gomes

Joaquim Gomes

Joaquim Augusto Gomes Oliveira nasceu em 21/11/1965 em Lisboa.
Em 22 anos como ciclista (17 como profissional) percorreu 600.000 kms, repartidos em 1.502, tendo chegado à vitória 56 vezes. Participou em 18 Voltas a Portugal, ganhando as edições de 1989 e 1993, tendo ainda obtido um 2º lugar, cinco 3º, um 4º e dois 5º. Trepador exímio e grande contra-relogista, classificou-se, em etapas terminadas ou com passagem na Torre, Serra da Estrela, cinco vezes em 1º lugar, três em 2º, uma em 3º, uma em 5º, uma em 7º e outra em 8º.
Ganhou vários Grandes Prémios, por diversas vezes: Volta ao Alentejo, Volta ao Algarve, GP Joaquim Agostinho, GP “O Jogo”, GP “Jornal de Notícias”, GP do Minho e muitos outros, tendo ganho muitas etapas. Participou em Provas no estrangeiro, tendo obtido um 2º lugar no Tour de Vaucluse, um 10º lugar no Dauphiné Libéré, um 20º nos 4 Dias de Dunkerque, um 17º na Volta a Espanha.
Foi três vezes Campeão Nacional de Contra-Relógio por equipas.
Iniciou a carreira no Carnide, tendo representado o Sporting, Louletano/Vale do Lobo, Torreense/Sicasal, Sicasal/Acral, Lousa/Calbrita, Recer/Boavista, LA Alumínios, LA/Pecol, Carvalhelhos/Boavista.
É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Lembram-se dele? - Sousa Santos (pai)

Sousa Santos (pai)

Joaquim Sousa Santos nasceu a 02/09/1930 na freguesia de São João de Ver, concelho de Santa Maria da Feira. É pai de um outro ciclista homenageado com o mesmo nome.
Foi um ciclista temível nos anos 50. Na Volta a Portugal, obteve um 2º em 1957 (20ª Volta a Portugal) e um 7º em 1959 (22ª Volta).
Na 21ª Volta ganhou a 11ª etapa Lisboa – Torres Vedras. Embora nunca tenha ganho qualquer Volta, foi um dos mais queridos ciclistas do F.C. Porto, nessa época.

É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

Lembram-se dele? - João Centeio

João Centeio

João Manuel Saturnino Centeio nasceu em 27/11/1943, na freguesia e concelho de Alpiarça.
Iniciou-se como amador júnior em 1960, passando a sénior em 1961.
Representou o Águias de Alpiarça e o Sport Lisboa e Benfica, tendo abandonado muito cedo, em 1965, por motivos pessoais.
Ganhou algumas etapas na Volta a Portugal em Bicicleta (Castelo de Vide - Penhas da Saúde em 1962 e Cartaxo - Malveira em 1964)
Integrou a equipa do Benfica que se classificou em 1º na Volta de 1965.
Participou em muitas outras corridas, ficando célebre a fuga em que ganhou com cerca de 28 minutos.
É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

Histórias do ciclismo - Levi Condinho

Seguem-se excertos seleccionados do texto "Davam grandes passeios... de bicicleta", de Levi Condinho, publicado no jornal "A Bola", na sua edição de 29 de Janeiro de 1994.

"(...) Quantas vezes, nos Verões desses anos, não nos levantávamos, alvoraçados, manhã cedo, para irmos, estrada fora, em busca dos poisos mais estratégicos, com o intuito de assistir à passagem dos ases da Volta a Portugal, do Porto-Lisboa ou, eventualmente, de outras competições. Chegávamos a pedalar 60 quilómetros para "curtirmos" o fugaz prazer de ver brilhar aquela colorida e rápida massa em movimento, por vezes fraccionada com fugitivos ou atrasados. (...)
Torcíamos pelo Benfica, mas também por Alves Barbosa, do Sangalhos, admirávamos Ribeiro da Silva, João Marcelino, António Pedro Júnior, tantos e tantos outros...

Em Abril de 1957, a Selecção Nacional de ciclismo disputou a Volta à Espanha. Convocados foram: Alves Barbosa (Sangalhos), Ribeiro da Silva, Agostinho Ferreira e Joaquim Carvalho (Académico do Porto), João Marcelino e José Firmino (Benfica), Manuel Graça (Sporting) e Sousa Santos, Artur Coelho, Carlos Carvalho e Agostinho Brás (Futebol Clube do Porto). O estágio preparatório para a "Vuelta" aconteceu, precisamente, em Março/Abril desse ano, em Alcobaça. Os ciclistas e técnicos estavam instalados, "se bem me lembro", ou na Pensão Primorosa, do entusiasta Manuel Lourenço, ou na Pensão Corações Unidos, célebre, um pouco por todo o lado, pela excelência da sua culinária, onde era ultrafamoso o frango na púcara. Mesmo em frente situava-se a firma de artigos de ciclismo de que era sócio o antigo ciclista internacional do Benfica, Abílio Gil Moreira, grande técnico da modalidade, homem de elevada erudição, democrata e republicano na nobre tradição alcobacense desde a época da I República, e autor, já para o fim da sua vida, de uma valiosa "História do Ciclismo Português", editada em 1980.

Gil Moreira foi um dos conselheiros da Selecção, que, briosamente, conseguiu chegar ao fim dessa duríssima "Vuelta", com Ribeiro da Silva, Alves Barbosa e Agostinho Ferreira. Acontece que Ribeiro da Silva foi um brilhante 4º classificado e o melhor estrangeiro na competição e, se não fora o azar...

(...) Recordando, ainda, o já referido estágio, escusado será dizer que a gaiatada e os adolescentes, como eu, passávamos horas a observar de perto todos esses ídolos que ali se encontravam, homens de grande valor, de condição humana e social bem humilde, por sinal.

(...) Um dos mais populares atletas presentes em Alcobaça era José Firmino, sempre bem disposto. Pela sua comicidade, era considerado o Humberto Madeira do grupo, citando as palavras de Manuel Graça na reportagem da revista "Golo", dirigida por Lança Moreira, em 22 de Abril de 1957, revista nº 7 (custava 2$40, imagine-se...), reportagem da autoria de Ferreira de Melo e Vítor Pinto.

Não esqueço, também aquela fotografia acrobática que Sousa Santos tirou, pés no guiador, em cima da pasteleira-roda 28 do meu primo Manuel Pedro, o que, para este, foi grande motivo de orgulho.

Passaram já 36 anos. Continuo a gostar desse desporto penoso, heróico, brutal por vezes, o mais popular, noutras épocas, e um dos mais amplamente democráticos, por todas as suas características. O ciclismo. (...)"

terça-feira, setembro 26, 2006

Lembram-se dele? - Venceslau Fernandes

Venceslau Fernandes

Venceslau Domingues Fernandes nasceu em 22/04/1945 na freguesia de Perosinho, concelho de Vila Nova de Gaia.
Teve uma das mais longas carreiras de ciclista em Portugal, de 1962 a 1991, tendo representado F.C. Porto, Académico do Porto, Aldoar, Leixões, Cedemi, Benfica de Luanda, Âmbar, S.L. Benfica, Sangalhos, Bonança, Rodovil - Ajacto, Algueira e Quintanilha.
Participou em 22 Voltas a Portugal, tendo vencido uma (1984) e obtido ainda 2º, 3º, 4º, 6º, 7º, 8º lugares e quatro 9º e tendo, por três vezes, ganho o Prémio da Montanha. Venceu, ainda vários Campeonatos Nacionais (Estrada, Ciclo-Cross e Rampa), vários Grandes Prémios (três do Minho, um do JN, etc.) e muitos circuitos.
Participou em cinco Voltas a Espanha, tendo obtido um 19º lugar, foi vencedor da Volta à África do Sul em 1976, tendo ainda vencido, por três vezes, o Grande Prémio Nocal (Angola) em 1967, 1968 e 1969.

É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

Lembram-se dele? - Herculano Oliveira

Herculano Oliveira

Herculano Ferreira de Oliveira nasceu em 20/04/1946 na freguesia de Casal Comba, concelho da Mealhada.
Iniciou a sua carreira de ciclista em 1965 e despediu-se em 1980, tendo representado o Sangalhos, Coelima, União de Coimbra, Tecnipil e Mike Ludo Gribaldy.
Trepador fortíssimo, ombreou com grandes campeões como Peixoto Alves ou Joaquim Agostinho, a quem ganhava, sobretudo na Serra da Estrela, quando o terreno empinava. Chegou mesmo na 36ª Volta a Portugal (1973) a ser agredido, nas Penhas da Saúde, por seguir à frente de Joaquim Agostinho, num daqueles poucos casos em que o público revelava comportamentos reprováveis.
Foi 4º e 7º na Volta a Portugal, tendo corrido a Volta a França (onde foi 45º), foi 28º na Volta a Espanha, obtendo o 22º lugar no Campeonato do Mundo de Barcelona.
Ganhou muitas outras provas, tendo sido diversas vezes 2º classificado no Campeonato Nacional de Rampa.
É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Lembram-se dele? - Joaquim Andrade

Joaquim Andrade

Joaquim Pereira de Andrade nasceu em 14/06/1945 na freguesia de Travanca, concelho de Santa Maria da Feira.
É pai de um ciclista que usa o seu nome, tendo, como este, uma carreira muito extensa, de 1964 a 1984, anos em que representou Ovarense, Sangalhos, F.C. Porto, Coelima, Safina, Coimbrões, Águias de Alpiarça, Paços de Ferreira, Travanca, Fagor, Flandria, Gitane e Mike Ludo Gribaldy.
Foi Campeão Nacional de Montanha por 2 vezes, Campeão Nacional de Perseguição Individual por 3 vezes, Campeão Nacional de Perseguição por Equipas, tendo obtido, ainda, muitos 2º lugares em diversos Campeonatos Nacionais e Regionais.
Ganhou a Volta a Portugal, tendo ganho 11 etapas em Voltas diversas, um Prémio da Montanha. Na Volta obteve, ainda, os seguintes lugares: um 3º, um 4º, dois 5º e um 9º. Ganhou, ainda, os Grandes Prémios Fagor, Nocal, Porto (2 vezes), Coelima, Couto, Volta ao Nordeste Transmontano e Volta ao Algarve, tendo em muitos outros obtido lugares no pódio.
Correu muitas provas internacionais, nomeadamente a Volta a França e a Volta ao Estado de São Paulo, onde ganhou 2 etapas.
De 1984 até hoje, dedica-se à manutenção do Núcleo Desportivo de Travanca.

É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

Sicasal

Um dos homenageados vai ser um patrocinador: a Sicasal, com toda a justiça!
Eis o testemunho de Joaquim Gomes:

“(…) A Sicasal era a única equipa em Portugal que me dava as melhores condições. Até hoje, nenhuma equipa teve o que aquela empresa nos proporcionou (...)”
“(…) Éramos bem pagos, tínhamos um centro de estágio como ainda hoje ninguém tem e sempre tivemos possibilidades de correr lá fora, em provas de nível internacional. Ao abandonar, perdi a oportunidade de fazer da Sicasal um grande projecto. Tinha todas as condições para ser uma grande equipa de ciclismo.(…)”

in “Joaquim Gomes - Sempre o último, sempre o primeiro”, Joaquim Gomes / Carlos Raleiras, Ed. Imagine, 2003, p. 97

Lembram-se dele? - Alexandre Rua

Alexandre Rua

Alexandre Manuel da Costa Rua nasceu em 11/02/1956 na freguesia de Aldeia Gavinha, concelho de Alenquer, em pleno Oeste, zona de grandes ciclistas.
Começou a carreira em 1972, tendo-a terminado em 1989, tendo sido um dos melhores sprinters portugueses, o que lhe valeu a vitória em 16 etapas da Volta a Portugal e ter sido 6 vezes vencedor da classificação por pontos. As melhores classificações na Volta a Portugal: um 4º, dois 5º e um 7º.
Ganhou Grandes Prémios de grande importância como a Volta ao Algarve, Grande Prémio de Torres Vedras, Grande Prémio de Loures, Grande Prémio JN e, ainda, 3 Porto – Lisboa e 3 Campeonatos Nacionais de Fundo.
Na sua carreira representou: Casa Pia, Sporting, Costa do Sol, Águias de Alpiarça, Coelima, Lousa, F.C. Porto, Boavista, Sicasal e Olhanense.
É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Lembram-se dele? - Manuel Zeferino

Manuel Zeferino

Manuel Ramos Zeferino nasceu em 23/07/1960 na freguesia de Navais, Póvoa de Varzim.
Iniciou a carreira em 1975, tendo corrido até 1992. Posteriormente, iniciou uma das carreiras mais bem sucedidas, como Director-Desportivo da Maia, onde treinou os vencedores de 3 Voltas a Portugal, 1 Volta a Valência, 1 Volta às Astúrias, tendo ainda um 2º lugar na Volta à Polónia e um 3º por equipas na Volta à Espanha.
Representou as equipas de Gião, F.C. Porto, Mako-Jeans, Sporting, Lousa e Boavista.
Ganhou a Volta a Portugal de 1981, onde “pegou” na camisola após o prólogo e a manteve até à última etapa, tendo-se classificado oito vezes nos dez primeiros (um 2º lugar, um 3º, dois 4º, um 7º, um 8º e um 10º).
É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Lembram-se dele? - Vítor Tenazinha

Vítor Tenazinha
Vítor José Tenazinha Sousa nasceu em 25/10/1941 em Boliqueime, concelho de Loulé.
Iniciou a carreira em 1958, que terminou em 1970, tendo representado o Louletano, o Benfica e o Sporting.
Ganhou a sua primeira corrida com uma bicicleta que lhe foi emprestada e na Volta a Portugal veio a vencer etapas por quatro vezes: duas no Algarve (Faro e Tavira) e duas em Lisboa.
Obteve um 2º lugar no “Grande Prémio Robbialac” e outro 2º no “Lisboa - Porto”, tendo ganho um “Prémio Laranjina C”. Classificou-se em 22º lugar na Volta a Franca do Futuro e na Volta a Portugal conseguiu um 11º, um 12º, um 14º e um 16º, o que na época não era nada fácil.
É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

terça-feira, setembro 19, 2006

Faleceu Francisco Nunes

Francisco Nunes foi um dos homens a quem mais ficou a dever o ciclismo.
Foi Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, foi Administrador da PAD e foi, também, quase tudo dentro do ciclismo.
Consta no Painel dos Homenageados de "PORTUGAL - 50 ANOS DE CICLISMO".
Tinha-nos manifestado, em 23 de Agosto, o receio de que não pudesse estar presente.
Faleceu ao fim desta manhã e deixou o ciclismo mais pobre. Mas sabemos que estará connosco nesse dia.

Lembram-se dele? - Sousa Santos (Filho)

Sousa Santos (Filho)
Joaquim Sousa Santos nasceu em 13/10/1953 na freguesia de São João de Ver, concelho de Santa Maria da Feira. É filho de um outro ciclista homenageado com o mesmo nome.
Representou o Sangalhos, o União de Coimbra, o Bombarralense e o F.C. Porto, tendo a sua carreira durado de 1972 a 1980.
Ganhou a Volta a Portugal de 1979, tendo ainda obtido um 2º, 5º e 8º lugar na Volta.
Ganhou várias etapas na Volta a Portugal, tendo envergado, também, a camisola amarela e foi Campeão Nacional de Pista (Perseguição).
No estrangeiro, foi 3º classificado e vencedor de 2 etapas na Volta a Málaga e 9º classificado na Semana Catalã.
É um dos homenageados no próximo dia 4 de Novembro no Mosteiro de Alcobaça.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Histórias do Ciclismo

Inserimos nesta rubrica textos relativos ao ciclismo que nos sejam enviados e cujo interesse aconselhe a sua publicação.
Abrimos com um texto de Baptista Bastos, retirado de “Cidade Diária” e que publicamos com a devida vénia.
O visado aqui é um ciclista bem conhecido que vai ser homenageado, pai e irmão de grandes ciclistas: o Alberto Carvalho, a quem envio um grande abraço.

Timóteo de Matos
Presidente da Assembleia Geral do ACC
Coordenador da Comissão Organizadora


" Fica sempre para outra vez

Alberto de Carvalho apareceu na Volta a Portugal em Bicicleta com uma face imberbe de criança assustada. Soletrava mal a letra da Imprensa diária, que transferira o magno acontecimento para a severidade das suas primeiras páginas – ignorava, simpaticamente, tudo o que gravitava no Mundo e só tinha olhos rápidos para o seu treinador, Pinto Valongo, o Sorridente, e para o mano mais velho, Joaquim de seu graça baptismal, que fora chefe-de-fila e, depois, ponta-de-lança do Ribeiro da Silva, vedeta do Académico.

A Volta, para o Alberto, como para muitas dezenas de ciclistas, era a fuga à enxada, à jorna mal paga de sol a sol – a conquista de uma liberdade com cama, mesa e roupa lavada.

Joaquim, veterano pelado e sabido, repuxava a atenção toda para o mais novo rebento familiar – não fosse a malta da estrada, mais arteira que peralvilha, apertar o miúdo com manhas e patranhas, ou artimanhas – que são as formas mais vulgares de se conseguir graus, vencer etapas, ganhar prémios na Volta a Portugal em Bicicleta.

Homem prudente e avisado por um sem-número de provas ciclistas, Joaquim era a sombra constante do Alberto. Quando este afrouxava a pedalada, logo o irmão mais velho aparecia com a palavra seca e precisa, a extrair dos músculos do outro novas reservas de energia. Quando Alberto, deslumbrado com os aplausos dos caminhos se preparava para fugas isoladas, logo o irmão aparecia, a recomendar prudência, a dar ao outro o que lhe faltava de tacto e de esclarecimento e lhe sobrava de juventude e de poder de arranque,

A fábula do cego e do coxo voltava a repetir-se. Joaquim já perdera a capacidade de se emocionar: via tudo objectivamente, como homem de grandes planos. Alberto era um gigante ainda sem freio e sem montada.

Uma tarde, quando a Volta, tranquila de exaustão, rolava pelo caminho da charneca alentejana, que terminava na meta de Portalegre, Joaquim disse ao Alberto:

- É agora! Foge! Vais sozinho, porque já não tenho pernas para te acompanhar.

Piscou o olho ao mano novo e deu-lhe o último recado:

- Olha por ti!

Ante a perplexidade do pelotão, Alberto arrancou – com a comoção dos grandes momentos. Pedalou, pedalou, pedalou horas a fio, sozinho na planície. Faltou-lhe a comida. Faltou-lhe a água. Faltou-lhe, sobretudo, a palavra precisa do irmão mais velho. E ninguém apareceu na planície a dar-lhe o púcaro de água ou a berrar-lhe a alegria de um reencontro. A pele dos músculos das penas estalou com o sol. Os lábios gretaram até ao sangue. Horas. Outras horas sobre outras horas. Foi quando, a dez quilómetros de Portalegre, vindo, sabe-se lá de onde, apareceu, no meio da estrada, um homem da terra com um pote de água.

- Atira! – gritou Alberto.

O homem hesitou, segundos apenas. Atirou a água, que se destinava a refrescar o campeão solitário. Errou o cálculo: nem uma gota caiu sobre o Alberto, que não afrouxara a marcha, para não falhar o seu primeiro triunfo.

O homem da terra, perante a inutilidade aparente do seu gesto, ficou triste, a ver o outro a afastar-se. Então, sempre montado na bicicleta, Alberto virou-se para trás e gritou:

- Fica para a outra vez, companheiro!"

quinta-feira, setembro 14, 2006

Critérios de escolha dos ciclistas homenageados

Pretendeu-se homenagear antes de mais o ciclismo que está vivo. Por essa razão, os homenageados representam-se aqui, não apenas a eles próprios, mas sobretudo o ciclismo e todos os outros ciclistas, seus companheiros de estrada.
A generalidade dos ciclistas vivos correu nos últimos 50 anos e, para além disso, o ano de 1956 representa um salto do nosso ciclismo a nível internacional pelo que, temporalmente, a homenagem é situada nesse período.
Temos no entanto a noção que houve muitos outros ciclistas que, antes de 1956, honraram a modalidade e que alguns (poucos, infelizmente) se encontram ainda vivos.
Escolhido o período, escolheram-se os ciclistas, tentando abranger:
- As zonas e equipas principais do país: Minho e Grande Porto, Bairrada, Santarém, Oeste e Algarve.
- Todos os vencedores da Volta a Portugal.
- Corredores de bom nível mas que, por circunstâncias diversas, não conseguiram ganhar qualquer volta.
- “Sprinters”
- Trepadores
- Um grupo representativo daqueles ciclistas que, embora sem grandes vitórias, contribuíram com o seu trabalho, com o seu esforço e com a sua combatividade para que o ciclismo se tenha mantido como uma das modalidades mais queridas do povo.

Critérios subjectivos? Sem dúvida. Mas não é menos certo que quem olhar com alguma atenção a totalidade dos nomes escolhidos encontra o essencial dos últimos 50 anos do ciclismo nacional.

Timóteo de Matos
Presidente da Assembleia Geral do ACC
Coordenador da Comissão Organizadora

Razões da homenagem

Decidiu o Alcobaça Clube de Ciclismo fazer esta homenagem ao ciclismo português porque tem a noção que os seus três anos de existência não seriam possíveis sem que tivesse havido quem, durante todos estes anos passados, mantivesse bem vivo o ciclismo.
Também porque as bicicletas, o ciclismo e os homenageados contribuíram para encher de excitação a nossa meninice, povoaram os sonhos da nossa juventude e, pela vida fora, nos deram momentos de grande satisfação e alegria.
Por tudo isso são o ciclismo e os homenageados credores da nossa simpatia e merecem a nossa homenagem.

Timóteo de Matos
Presidente da Assembleia Geral do ACC
Coordenador da Comissão Organizadora

terça-feira, setembro 05, 2006

O Evento

Portugal - 50 Anos de Ciclismo é um evento único na história do Ciclismo Português, em que se pretende atribuir o devido reconhecimento a grandes nomes que prestaram um serviço ímpar a uma das modalidades mais emblemáticas do desporto nacional.
Este acontecimento irá decorrer no dia 4 de Novembro de 2006, na cidade de Alcobaça, com a colaboração e acompanhamento da Federação Portuguesa de Ciclismo, apoio da Câmara Municipal de Alcobaça e organização pelo Alcobaça Clube de Ciclismo, integrado nas comemorações do seu 3º aniversário.
Esta homenagem envolverá os principais agentes do ciclismo português nos últimos 50 anos, especialmente ciclistas, equipas, dirigentes, jornalistas e patrocinadores.

Decorrerá em dois momentos: Colóquio/Debate e Jantar de Homenagem e Convívio.

No colóquio/debate, a realizar no Cine-Teatro de Alcobaça, participarão, como oradores, o Prof. Doutor Marçal Grilo, entusiasta e conhecedor do Ciclismo Português, o histórico jornalista do ciclismo Guita Júnior, e o lendário ciclista Alves Barbosa. O Moderador será o Eng.º Macário Correia, Presidente da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Ciclismo.

Seguir-se-à, pelas 20 horas, o momento central deste grande acontecimento, o jantar de homenagem e convívio. Para saber mais sobre o rol de notáveis homenageados (entre ciclistas, clubes, jornalistas, etc.), acompanhe este blogue, ou, para uma lista dos mesmos, visite o site do Alcobaça Clube de Ciclismo. Além destes homenageados, são esperados alguns ciclistas, velhas glórias do Tour, do Giro e da Vuelta, bem como um representante ao mais alto nível da União Ciclista Internacional e Fulgêncio Sanchez, Presidente da Real Federação Espanhola de Ciclismo. Serão, ainda, convidados a estar presentes, entre outras entidades, Suas Ex.ªs o Sr. Presidente da República, e o Sr. Primeiro-Ministro.

Além do evento central, e sublinhando ainda mais a importância deste, serão realizadas na Cidade as mais diversas actividades paralelas, que irão sendo divulgadas pormenorizadamente neste blogue, mas que também estão listadas no site do Alcobaça Clube de Ciclismo.

Serão também, em breve, aqui prestadas as informações relevantes quanto à participação do público neste memorável momento histórico do Ciclismo Português.

Ao leitor se aconselha então que fique atento a este blogue e que venha participar nesta oportunidade única para conviver com grandes ídolos.