Histórias do ciclismo - Levi Condinho
Seguem-se excertos seleccionados do texto "Davam grandes passeios... de bicicleta", de Levi Condinho, publicado no jornal "A Bola", na sua edição de 29 de Janeiro de 1994.
"(...) Quantas vezes, nos Verões desses anos, não nos levantávamos, alvoraçados, manhã cedo, para irmos, estrada fora, em busca dos poisos mais estratégicos, com o intuito de assistir à passagem dos ases da Volta a Portugal, do Porto-Lisboa ou, eventualmente, de outras competições. Chegávamos a pedalar 60 quilómetros para "curtirmos" o fugaz prazer de ver brilhar aquela colorida e rápida massa em movimento, por vezes fraccionada com fugitivos ou atrasados. (...)
Torcíamos pelo Benfica, mas também por Alves Barbosa, do Sangalhos, admirávamos Ribeiro da Silva, João Marcelino, António Pedro Júnior, tantos e tantos outros...
Em Abril de 1957, a Selecção Nacional de ciclismo disputou a Volta à Espanha. Convocados foram: Alves Barbosa (Sangalhos), Ribeiro da Silva, Agostinho Ferreira e Joaquim Carvalho (Académico do Porto), João Marcelino e José Firmino (Benfica), Manuel Graça (Sporting) e Sousa Santos, Artur Coelho, Carlos Carvalho e Agostinho Brás (Futebol Clube do Porto). O estágio preparatório para a "Vuelta" aconteceu, precisamente, em Março/Abril desse ano, em Alcobaça. Os ciclistas e técnicos estavam instalados, "se bem me lembro", ou na Pensão Primorosa, do entusiasta Manuel Lourenço, ou na Pensão Corações Unidos, célebre, um pouco por todo o lado, pela excelência da sua culinária, onde era ultrafamoso o frango na púcara. Mesmo em frente situava-se a firma de artigos de ciclismo de que era sócio o antigo ciclista internacional do Benfica, Abílio Gil Moreira, grande técnico da modalidade, homem de elevada erudição, democrata e republicano na nobre tradição alcobacense desde a época da I República, e autor, já para o fim da sua vida, de uma valiosa "História do Ciclismo Português", editada em 1980.
Gil Moreira foi um dos conselheiros da Selecção, que, briosamente, conseguiu chegar ao fim dessa duríssima "Vuelta", com Ribeiro da Silva, Alves Barbosa e Agostinho Ferreira. Acontece que Ribeiro da Silva foi um brilhante 4º classificado e o melhor estrangeiro na competição e, se não fora o azar...
(...) Recordando, ainda, o já referido estágio, escusado será dizer que a gaiatada e os adolescentes, como eu, passávamos horas a observar de perto todos esses ídolos que ali se encontravam, homens de grande valor, de condição humana e social bem humilde, por sinal.
(...) Um dos mais populares atletas presentes em Alcobaça era José Firmino, sempre bem disposto. Pela sua comicidade, era considerado o Humberto Madeira do grupo, citando as palavras de Manuel Graça na reportagem da revista "Golo", dirigida por Lança Moreira, em 22 de Abril de 1957, revista nº 7 (custava 2$40, imagine-se...), reportagem da autoria de Ferreira de Melo e Vítor Pinto.
Não esqueço, também aquela fotografia acrobática que Sousa Santos tirou, pés no guiador, em cima da pasteleira-roda 28 do meu primo Manuel Pedro, o que, para este, foi grande motivo de orgulho.
Passaram já 36 anos. Continuo a gostar desse desporto penoso, heróico, brutal por vezes, o mais popular, noutras épocas, e um dos mais amplamente democráticos, por todas as suas características. O ciclismo. (...)"
"(...) Quantas vezes, nos Verões desses anos, não nos levantávamos, alvoraçados, manhã cedo, para irmos, estrada fora, em busca dos poisos mais estratégicos, com o intuito de assistir à passagem dos ases da Volta a Portugal, do Porto-Lisboa ou, eventualmente, de outras competições. Chegávamos a pedalar 60 quilómetros para "curtirmos" o fugaz prazer de ver brilhar aquela colorida e rápida massa em movimento, por vezes fraccionada com fugitivos ou atrasados. (...)
Torcíamos pelo Benfica, mas também por Alves Barbosa, do Sangalhos, admirávamos Ribeiro da Silva, João Marcelino, António Pedro Júnior, tantos e tantos outros...
Em Abril de 1957, a Selecção Nacional de ciclismo disputou a Volta à Espanha. Convocados foram: Alves Barbosa (Sangalhos), Ribeiro da Silva, Agostinho Ferreira e Joaquim Carvalho (Académico do Porto), João Marcelino e José Firmino (Benfica), Manuel Graça (Sporting) e Sousa Santos, Artur Coelho, Carlos Carvalho e Agostinho Brás (Futebol Clube do Porto). O estágio preparatório para a "Vuelta" aconteceu, precisamente, em Março/Abril desse ano, em Alcobaça. Os ciclistas e técnicos estavam instalados, "se bem me lembro", ou na Pensão Primorosa, do entusiasta Manuel Lourenço, ou na Pensão Corações Unidos, célebre, um pouco por todo o lado, pela excelência da sua culinária, onde era ultrafamoso o frango na púcara. Mesmo em frente situava-se a firma de artigos de ciclismo de que era sócio o antigo ciclista internacional do Benfica, Abílio Gil Moreira, grande técnico da modalidade, homem de elevada erudição, democrata e republicano na nobre tradição alcobacense desde a época da I República, e autor, já para o fim da sua vida, de uma valiosa "História do Ciclismo Português", editada em 1980.
Gil Moreira foi um dos conselheiros da Selecção, que, briosamente, conseguiu chegar ao fim dessa duríssima "Vuelta", com Ribeiro da Silva, Alves Barbosa e Agostinho Ferreira. Acontece que Ribeiro da Silva foi um brilhante 4º classificado e o melhor estrangeiro na competição e, se não fora o azar...
(...) Recordando, ainda, o já referido estágio, escusado será dizer que a gaiatada e os adolescentes, como eu, passávamos horas a observar de perto todos esses ídolos que ali se encontravam, homens de grande valor, de condição humana e social bem humilde, por sinal.
(...) Um dos mais populares atletas presentes em Alcobaça era José Firmino, sempre bem disposto. Pela sua comicidade, era considerado o Humberto Madeira do grupo, citando as palavras de Manuel Graça na reportagem da revista "Golo", dirigida por Lança Moreira, em 22 de Abril de 1957, revista nº 7 (custava 2$40, imagine-se...), reportagem da autoria de Ferreira de Melo e Vítor Pinto.
Não esqueço, também aquela fotografia acrobática que Sousa Santos tirou, pés no guiador, em cima da pasteleira-roda 28 do meu primo Manuel Pedro, o que, para este, foi grande motivo de orgulho.
Passaram já 36 anos. Continuo a gostar desse desporto penoso, heróico, brutal por vezes, o mais popular, noutras épocas, e um dos mais amplamente democráticos, por todas as suas características. O ciclismo. (...)"
Portugal - 50 Anos de Ciclismo

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