quarta-feira, outubro 11, 2006

Companheiros que fazem do ciclismo uma escola da vida.

“Estou com dificuldade! Queria falar-vos do “Zé”, mas subitamente surgem-me nomes como Xavier, Luís Domingos, P. Ferreira, Serafim, Araújo, Poeira, Barroso, Sampaio, Ricardo e outros. A quem o sacrifício e humildade me permitiram o sucesso, mas quase nunca o reconhecimento do seu trabalho por parte do público, que infelizmente traduz igual desrespeito por parte dos jornalistas, e quantas vezes, dos próprios directores desportivos.
Então quero que entendam por “Zé”, todos aqueles que, embora tenham pago um preço demasiado elevado por atingir o profissionalismo, nunca, na hora das grandes decisões hesitaram em pôr de lado ambições pessoais em prol do imprescindível apoio a um companheiro mais apto ou eventualmente mais bem colocado, que sucessivamente os vai afastando do brilho do pódio, acumulando frustrações, que pacientemente carregam, mas libertam em cada pedalada orgulhosa na cabeça do pelotão.
…Agora já estou mais à vontade para lhes falar naquele que é o meu “Zé”.
…Mas não! Vou apenas aproveitar para, de forma derradeira, enaltecer todos aqueles que, tal como o “Zé”, fazem desta modalidade, mais de qualquer outra, uma escola de vida, dando o exemplo aos mais novos, que quantas vezes se guiam, cegos por ambições desmedidas, que irremediavelmente os conduzem ao fracasso.”


Nota de redacção: O texto é respigado de “Sempre o último, sempre o primeiro” de Joaquim Gomes/Carlos Raleira. O “Zé” é o Zé Rosa que foi muitos anos colega do Joaquim Gomes.