Histórias da Volta - Já vestia a amarela
JÁ VESTIA A AMARELA
Mesmo sendo… o Benjamim
Mesmo sendo… o Benjamim
(…)O Sol é uma brasa: na subida para as Penhas, Benjamim Carvalho deixa caminho livre a Alfredo Gouveia. Como não havia turistas de pompa e circunstância, desses que vão excursionando só quando os seus emblemas se digladiam com a concorrência directa, tivemos uma subida quase limpa, até à varanda dos Carqueijais. Um pequeno nada: no carro itinerante que deveria ser apenas de apoio passivo ao Coimbrões, o antigo campeão Joaquim Leite (primo de D. António Ribeiro Cardeal Patriarca de Lisboa) borrifa Benjamim Carvalho como vai podendo. Tão depressa enche a boca de água para despejar sobre o moço, como (aproveitando a nula vigilância) desagua bidão após bidão no corpo do mocito que iria conquistar a camisola amarela.
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(…) A vida de ciclista, mesmo “amador”, é dura que se farta. Isac Nunes desistia, Elias Campos, Rui Azevedo, Armindo Lúcio e António Dias iam mais cedo para o doce lar. A apetecida “amarela” mudava de poiso:
- É, o meu nome é esse: Benjamim Carvalho, 20 anos, natural de São João da Madeira.
O rapaz, compenetrado, resoluto:
- Sou irmão do Manuel de Carvalho, que já correu na “Volta” e está agora em França, como amador, fazendo pela vida.
- Que profissão tem ele?
Benjamim fica atónito. O moço desbobina:
- Eu é que trabalho em outra coisa: em estores, na Ar-Sol.
- Estou no ciclismo por causa do meu irmão Manuel, que me deu duas bicicletas, porque não podia ir para Paris: A minha noiva; a minha conversada? Só tenho uma: a minha bicicleta de corrida; Vamos a ver se ela não me engana antes do casamento.
N.R. Texto e entrevista retirada do Diário de Lisboa de 22/06/81. Neves de Sousa foi o repórter na edição desse ano do Grande Prémio JN.
Benjamim Carvalho veio a ser um dos bons ciclistas do nosso pelotão, ganhando muitas provas. Hoje é massagista competentíssimo
Portugal - 50 Anos de Ciclismo

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